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sábado, 10 de março de 2012

Wabi Sabi

Perceber a beleza que se esconde nas imperfeições do mundo é uma arte. Os tapetes persas sempre ostentam um pequeno erro, um minúsculo defeito, com o objetivo de lembrar a quem olha de que só Deus é perfeito. Assim é a condição humana, e a Arte da Imperfeição começa quando aprendemos a reconhecê-la e aceitá-la.

Wabi Sabi é a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que mora nas coisas imperfeitas e incompletas. Trata-se de uma visão compreensiva do mundo, um sentido estético centrado na aceitação da impermanência, sendo descrita como uma noção de beleza imperfeita e incompleta.

Seu princípio é derivado do ensinamento budista conhecido como as Três Marcas da Existência, as quais são a impermanência, o sofrimento e a ausência de uma natureza essencial.

Na Idade Média, os nobres e lideres militares freqüentavam festas luxuosas, onde utensílios e obras de arte chinesa caríssimos eram presenteados e exibidos.

Em oposição à ostentação destas festas, os monges e sacerdotes japoneses criaram a Cerimônia do Chá, onde eles tinham acesso direto e intuitivo à verdade transcendental, acima de qualquer concepção intelectual e materialista. Nestas cerimônias, utensílios rústicos japoneses eram utilizados para preparar e servir o chá. Estes utensílios eram de cerâmica, feitos de forma despretensiosa, minimalista, a base de argila e engobe, sem detalhes, queimados em fornos anagama e noborigama. Estes fornos queimavam as peças por mais de 36 horas em alta temperatura. O calor e ação das cinzas das lenhas queimadas durante o processo de sinterização da cerâmica proporcionavam às peças formas, cores e efeitos assimétricos, imprevisíveis.

A arte advinha das reações naturais da terra, água, fogo e ar, sem padrões de estética. Peças que eram únicas, irregulares e imperfeitas, surgiam. Assim como tudo ao redor da cerimônia do chá, apreciava-se então a beleza destes utensílios que eram inacabados no tempo. A beleza modesta e humilde. A beleza das coisas não-convencionais.

O Wabi Sabi é um conceito que nasceu dos rituais da Cerimônia do Chá, difundido por monges zen-budistas e mestres da Cerimônia do Chá. É a expressão que os japoneses inventaram para definir a beleza que reside nas coisas imperfeitas. É um jeito de "ver" as coisas por uma ótica de simplicidade, naturalidade e aceitação da realidade. É ver beleza na assimetria e na rusticidade.

Wabi significa a beleza modesta, a simplicidade, a harmonia. Está presente na valorização e elogio da essência de todas as coisas. É a beleza presente nas coisas aparentemente simples, rústicas e não-convencionais.

Sabi contém o significado de beleza da imperfeição provocada pela ação do tempo e da natureza e também a própria impermanência.


O conceito surgiu por volta do século 15, um jovem chamado Sen no Rikyu (1522-1591) queria aprender os complicados rituais da Cerimônia do Chá. E foi procurar o grande mestre Takeno Joo. Para testar o rapaz, o mestre mandou que ele varresse o jardim. Rikyu lançou-se ao trabalho feliz. Limpou o jardim até que não restasse nem uma folhinha fora do lugar. Ao terminar, examinou cuidadosamente o que tinha feito: o jardim perfeito, impecável, cada centímetro de areia imaculadamente varrido, cada pedra no lugar, todas as plantas caprichadamente ajeitadas. E então, antes de apresentar o resultado ao mestre Rikyu chacoalhou o tronco de uma cerejeira e fez caírem algumas flores que se espalharam displicentes pelo chão. Mestre Joo, impressionado, admitiu o jovem no seu mosteiro. Rikyu virou um grande Mestre do Chá e, desde então, é reverenciado como aquele que entendeu a essência do conceito de Wabi Sabi: a arte da imperfeição.


O que a historinha de Rikyu tem para nos ensinar é que estes mestres japoneses, com sua sofisticadíssima cultura inspirada nos ensinamentos do taoísmo e do zen budismo, conseguiram perceber que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar. E a natureza das coisas é percorrer seu ciclo de nascimento, deslumbramento e morte. Efêmeras e frágeis. Eles enxergaram a beleza e a elegância que existe em tudo que é tocado pelo carinho do tempo. Um velho bule de chá, musgo cobrindo as pedras do caminho, a toalha amarelada da avó, a cadeira de madeira branqueada de chuva que espreguiça no jardim, uma única rosa solta no vaso, a maçaneta da porta nublada das mãos que deixou entrar e sair.

Wabi Sabi é olhar para o mundo com uma certa melancolia de quem sabe que a vida é passageira e, por isso mesmo, bela.

Para os olhos artistas de Leonard Koren, Wabi Sabi é inseparável da sabedoria budista que ensina: todas as coisas são impermanentes; todas as coisas são imperfeitas; todas as coisas são incompletas.


Daí, olhar para elas de um modo Wabi Sabi é ver:


A beleza que existe naquilo que tem as marcas do tempo (a velha cadeira de balanço com sua pintura já gasta tomando o solzinho que entra pela janela é Wabi Sabi);


A beleza do que é humilde e simples (em vez de sofisticado e cheio de ornamentos inúteis);


A beleza de tudo que não é convencional (quer algo mais Wabi Sabi do que servir à luz de velas e em toalhas de renda um simples hamburguer?);


A beleza dos materiais que ainda guardam em si a natureza (Wabi Sabi é definitivamente papel, algodão, velhos e nobres tecidos, nada de plástico);


A beleza da mudança das estações (que tal experimentar descobrir os primeiros verdes fresquinhos e brilhantes que anunciam a primavera?).


A Arte da Imperfeição é ver a vida com a tranquilidade de quem sabe que a busca da perfeição exaure nossas forças e corrói nossas pequenas alegrias. Porque, como disse Thomas Moore, "a perfeição pertence a um mundo imaginário". No nosso mundo de verdade, aqui e agora, que tal abrir os olhos para o estilo Wabi Sabi?


Para um jeito wabi sabi de ver...


A Filosofia Wabi Sabi


A arte do Wabi Sabi, inspirada nos ensinamentos do Taoísmo e do Budismo, fundamenta-se na doutrina da simplicidade, da moderação, da naturalidade, da alegria, da melancolia, da assimetria e da não permanência.


Trata-se de perceber que a ação humana sobre o mundo deve ser tão delicada que não impeça a verdadeira natureza das coisas de se revelar, descobrindo a beleza que existe naquilo que tem as marcas do tempo e que ainda guarda em si a natureza. O conceito define-se, de uma forma simples, como a arte da imperfeição.


Mantenha a ordem sem obsessões. A limpeza é uma forma de respeito pelo nosso meio envolvente. A sujidade é um espelho do estado mental de quem ali vive. O encanto das fendas de um chão ou de um teto de madeira é maior quando não há rasto de sujidade.


Procure a espontaneidade. A sua casa é o lugar onde vive e a vida deixa marcas. Não deixe que a marca da mão do seu filho na parede ou que a base do telefone decorada com rabiscos o deixem ansioso. Assuma-o como parte da decoração da sua vida. Talvez um dia essas marcas já não estejam lá e sinta nostalgia do amor e ternura que representaram.


Desfaça-se do supérfluo. Os livros que não vai voltar a ler ou que não a marcaram, a roupa que já não vai usar, os objetos usados que já não vê como belos.


Recicle tudo o que conseguir. Permita que aquilo de que já não consegue desfrutar possa continuar a existir na vida de outras pessoas. E evoque, assim, a arte do efêmero. Tudo muda, nada permanece.

Preste atenção aos detalhes. Espelhos, plantas, água, fogo, inclusive odores: da madeira, da roupa acabada de lavar, do sabonete das mãos… Perca tempo com estes detalhes para agradar os seus sentidos. Proteja o silêncio. Coloque portadas ou persianas para reduzir o ruído dentro de casa. Isole as paredes caso seja necessário. Texto: Joana Martinho.

Segundo João Spinelli, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA) e mestre em arte e cultura japonesa, Wabi Sabi surge de dois estados de espírito distintos: antítese do ideal de beleza monumental e contraponto à sociedade da acumulação. "O espírito Wabi pede a eliminação do supérfluo", diz ele. "Já o Sabi está na assimetria, na rusticidade. As saliências que as intempéries deixam na pedra, ou o silêncio latente dos espaços não pintados de uma tela".



O Wabi Sabi é milenar, mas flerta com o cotidiano, influencia correntes artísticas e movimentos inteligentes. Para apreciá-lo, é necessário paciência, um olhar delicado e o sossego que leva à percepção das marcas do tempo. O Wabi Sabi encontra a beleza na natureza e na aceitação do ciclo natural da vida. Temos que parar de associar o que é belo ao que é perfeito. Tudo que produz alegria e paz é lindo, como o ocasional "abraço das folhas".



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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

CERIMÔNIA DO CHÁ

Cerimônia do chá


A cerimônia do chá japonesa (chanoyu 茶の湯, lit. "água quente [para] chá"; também chamada chadō ou sadō, 茶道, "o caminho do chá") é uma atividade tradicional com influências do Taoísmo e Zen Budismo, na qual chá verde em pó (matcha, 抹茶) é preparado cerimonialmente e servido aos convidados. O matcha é feito da planta chamada chá, camellia sinensis.
Os encontros de chanoyu são chamados chakai (茶会, "encontro para chá") ou chaji (茶事, "assuntos do chá"). Normalmente o termo chakai refere-se a um evento relativamente simples no qual se oferecem doces típicos, usucha (chá suave), e talvez tenshin (um aperitivo); já chaji refere-se a um evento mais formal, incluindo também uma refeição tradicional (kaiseki) e koicha (chá forte). Um chaji completo pode durar até quatro horas.
O praticante de cerimônia do chá precisa ter conhecimento de uma ampla gama de artes tradicionais que são parte integral do chanoyu, incluindo o cultivo e variedades de chá, vestimentas japonesas (kimono), caligrafia, arranjo de flores, cerâmica, etiqueta e incensos — além dos procedimentos formais de seu estilo de chanoyu, que podem passar de uma centena. Assim, o estudo de cerimônia do chá praticamente nunca termina [1]. Mesmo para participar como convidado em uma cerimônia formal é preciso conhecer os gestos e frases pré-definidos, a maneira apropriada de portar-se na sala de chá, e como servir-se de chá e doces,

História

Beber chá é um costume introduzido no Japão, no século IX, na forma de chá de infusão (団茶, dancha) por um Monge Budista Eichu (永忠), quando retornava da China ao Japão, aonde conheceu a Erva, de acordo com a lenda, após 200 anos. O chá tornou-se a bebida mais consumida no Japão, e cultivada em seu próprio território.
O costume de beber chá, iniciou-se de forma medicinal, e por razão de luxo, uma vez que era importada da China. no século IX, O Autor Chinês Lu Yu escreveu o Ch'a Ching , um manual sobre o cultivo e preparação do chá. A vida de Lu Yu foi influenciada pelo budismo. A idéia dele foi crucial para a criação e aprimoramento da cerimônia.
No século XII, um novo tipo de chá surge, o matcha, foi trazido por Eisai, outro monge japonês retornando da China. Considerado um chá verde mais forte, retirado da mesma planta de chá preto , foi inicialmente utilizado em rituais em Templos Budistas. Já no século XIII, samurais já consumiam a bebida matcha, como uma adaptação do Budismo, com isso, o futuro do chá estava traçado.
Por volta do século XVI, beber o chá se popularizou, chegando a atingir todas as camadas sociais do Japão. Sen no Rikyu, um dos maiores destaques na história da cerimônia do chá, seguido pelo seu mestre, Takeno Jōō, de acordo com a filosofiaichi-go ichi-e, cada cerimônia do chá é única, e nunca poderá ser reproduzida. Seus ensinamentos foram responsáveis pelo desenvolvimento de novos estilos arquitetonicos japoneses, como Jardins, Arte e todo o desenvolvimento e criação da cerimônia do chá. E os ensinamentos resistem até hoje.

Os Utensílios


Os Utensílios da cerimônia são chamados de dōgu (道具, literalmente "Ferramentas"). A quantidade de dōgu necessários a uma cerimônia varia em função da escola e do estilo da demonstração. A sua variedade, nomes específicos e combinações de utilização tornam impraticável pela sua extensão a inclusão neste espaço de uma lista pormenorizada. Existem no Japão dicionários específicos que chegam a ter centenas de páginas. Apresenta-se de seguida uma lista simplificada com os itens essenciais:
  • Fukusa (lenço de seda)
  • Chawan (taça)
  • Natsume ou Cha-ire (boião para o chá em pó)
  • Chasen (batedor para preparar o chá)
  • Chashaku (espátula para servir o chá em pó)
  • Chakin (pano para limpar a taça)
  • Hishaku (concha de bambú)
  • Kensui (recipiente para a água suja)
  • Tana (pequena estante para colocar os utensílios)
  • Kama (panela de ferro)
  • Furo (braseiro)



A Cerimônia do Chá basicamente consiste no ato de compartilhar uma tigela de chá, seguindo quatro princípios básicos: Wa (Harmonia) , Kei (Respeito), Sei (Pureza) e Jaku (Tranqüilidade), desenvolvido por Sen Rikyu (1522-1591).

A Harmonia é o resultado da interação do anfitrião e do convidado, da comida servida e dos utensílios usados com os ritmos da natureza, livre de pretensões, percorrendo o caminho da moderação e humildade.

O Respeito é a sinceridade do coração que nos libera para um relacionamento aberto com o nosso ambiente imediato com o ser humano e a natureza, reconhecendo a dignidade inata de cada um.

A Pureza capacita o indivíduo a perceber a essência pura e sagrada das coisas do homem e da natureza.

A Tranqüilidade é adquirida com a prática constante dos três primeiros princípios.

"O que, precisamente, são as mais importantes coisas que precisam ser entendidas numa cerimônia de chá?" Esta pergunta foi feita a Sen Rikyu por um discípulo.

Sua resposta: "Prepare uma deliciosa tigela de chá; disponha o carvão de modo a aquecer a água; arranje as flores tal como elas estão no campo; no verão surgira frescor, no inverno calor; prepare tudo com antecedência; prepare-se para uma eventual chuva; e dê àqueles com quem se encontrar toda consideração."

O discípulo, um tanto desapontado com essa resposta, onde não encontrou nada de importância tão grande que pudesse supor ser um segredo da prática do chá, disse: "Isso tudo eu já sabia..."
Rikyu respondeu: "Então, se você pode conduzir uma cerimônia do chá sem desviar-se de nenhuma das regras que eu acabei de expor, eu me tornarei seu discípulo."

A Cerimônia do Chá completa inicia-se com a chegada do Convidado. Ele deve observar se a água foi espargida nas pedras do caminho que levam à Cabana de Chá. Se as pedras não estiverem molhadas isto quer dizer que o Anfitrião não está pronto. Se o Anfitrião tiver molhado as pedras quer dizer que o Convidado pode entrar. Este sinal é muito bom pois não causa constrangimento a nenhuma das partes. Caso o Convidado tenha chegado cedo demais, ele pode dar uma volta e retornar mais tarde e observar novamente.

O Convidado aprecia o caminho para a Cabana de Chá. Perto da entrada há uma bacia baixa de pedra; cada hóspede pára para lavar as mãos e a boca num ato simbólico de purificação. Os convidados continuam e entram abaixados através de uma pequena porta de 70 cm de altura. Isso porque todos devem abaixar a cabeça para entrar. Espadas e mantos reais não passam por essa pequena abertura, devendo ser deixados de fora. Apenas o ser humano adentra a Sala de Chá, sem ostentações, todos são iguais.

Antes da chegada dos convidados, o anfitrião pendurou um Kakemono (pintura ou caligrafia sobre papel ou seda).

Num recipiente recém preparado com cinzas, um fogo de carvão foi aceso, o incenso foi queimado, e sobre o fogo o anfitrião colocou uma chaleira com água para preparar o chá.

Ao entrar cada convidado aprecia o kakemono, o fogo, o arranjo das cinzas, a chaleira e todos os outros utensílios que estejam expostos. A iluminação moderada e os tons suaves das paredes de barro e da madeira envelhecida criam uma atmosfera que conduz à contemplação. O anfitrião surge e começa a servir o Kaiseki, refeição ligeira.

A palavra Kaiseki é composta por 2 ideogramas Kai = Pedra e Seki = Quente. Quando os monges estavam meditando não havia tempo para preparar comida, então eles pegavam uma pedra da fogueira e colocavam sob a roupa no estômago para aquecê-lo.
O Kaiseki vem do nome dado a uma pedra aquecida que os monges Zen usavam para aliviar o estômago das dores causadas pela fome ou pelo frio. Desde então passou a significar uma pequena refeição, suficiente apenas para satisfazer a fome.

Depois de compartilhar a refeição os convidados são servidos de um doce e do chá forte. Após isso serve-se o chá fraco.

O Otemae, preparo do chá, consiste de 3 partes:
- Purificacao dos utensílios
- Preparo do chá
- Limpeza dos utensílios.

Deve ser realizado em silêncio, ou só falando amenidades. A mensagem é enviada pelos utensílios, kakemono, flores.

A escolha do kimono depende da estação do ano. A manga indica o estado civil da pessoa q o usa. Mais longo, solteira, mais curto casada.


Fontes: 
Wikipédia